O que é o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV)

O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) é um serviço da Proteção Social Básica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) que tem como objetivo prevenir situações de vulnerabilidade e risco social por meio do fortalecimento das relações familiares e comunitárias.

Esse serviço é ofertado de forma complementar ao trabalho social com famílias realizado pelo PAIF, normalmente nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) ou em centros de convivência vinculados à rede socioassistencial.

De acordo com o governo federal, o serviço se organiza em grupos e por ciclos de vida, podendo atender:

  • crianças de 0 a 6 anos
  • crianças e adolescentes de 6 a 15 anos
  • adolescentes de 15 a 17 anos
  • jovens de 18 a 29 anos
  • adultos de 30 a 59 anos
  • pessoas idosas

As atividades geralmente envolvem:

  • oficinas culturais e artísticas
  • atividades esportivas e de lazer
  • rodas de conversa
  • ações educativas e comunitárias

Essas experiências coletivas buscam estimular a convivência, fortalecer vínculos e desenvolver autonomia e pertencimento social.

Como o SCFV se insere na política de assistência social

O SCFV integra o conjunto de serviços previstos na Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais (2009) e atua de forma articulada com outros serviços da rede socioassistencial.

Sua lógica de funcionamento está baseada em três princípios centrais:

Prevenção de vulnerabilidades sociais

O serviço busca evitar que situações de fragilidade familiar ou social evoluam para violações de direitos.

Entre os públicos prioritários estão:

  • crianças em situação de trabalho infantil
  • pessoas em situação de isolamento social
  • adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa
  • pessoas vítimas de violência

famílias em situação de pobreza ou vulnerabilidade social.

Fortalecimento da convivência familiar e comunitária

O principal instrumento do serviço é a convivência em grupo, que possibilita:

  • troca de experiências
  • construção de redes de apoio
  • desenvolvimento de habilidades sociais

fortalecimento do sentimento de pertencimento.

Complementaridade ao trabalho social com famílias

O SCFV não substitui o acompanhamento familiar realizado pelo PAIF ou PAEFI, mas atua como estratégia complementar.

Enquanto o PAIF trabalha diretamente com a família, o SCFV trabalha com indivíduos em grupos, reforçando vínculos e prevenindo situações de risco.

O alcance do SCFV no Brasil

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, o SCFV está presente em quase cinco mil municípios brasileiros, atendendo mais de dois milhões de usuários em todo o país.

Essa expansão demonstra que o serviço se consolidou como uma das principais estratégias preventivas da assistência social brasileira.

Contribuições positivas do SCFV

Diversos estudos e experiências práticas apontam impactos positivos do serviço.

Fortalecimento das relações familiares

A convivência em grupo contribui para que os usuários desenvolvam habilidades de diálogo, empatia e cooperação.

Isso fortalece os vínculos familiares e melhora as relações no território.

Prevenção de situações de risco social

O SCFV atua especialmente na prevenção de:

  • violência doméstica
  • isolamento social de idosos
  • evasão escolar
  • envolvimento de adolescentes com situações de risco

Por meio de atividades coletivas, o serviço cria espaços de socialização e proteção social preventiva.

Desenvolvimento de autonomia e protagonismo

Outro ponto positivo é o estímulo ao protagonismo dos usuários.

As atividades incentivam:

  • participação comunitária
  • desenvolvimento de habilidades sociais

construção de projetos de vida.

Desafios e limitações na execução do SCFV

Apesar de sua importância, diversos estudos e avaliações apontam problemas na implementação do serviço em muitos municípios.

Redução do serviço a atividades recreativas

Um dos problemas mais recorrentes é a compreensão equivocada do SCFV.

O próprio Ministério do Desenvolvimento Social alerta que palestras, festas ou atividades pontuais não caracterizam o serviço, se não estiverem inseridas em um planejamento socioeducativo contínuo.

Em muitos municípios, o SCFV acaba sendo reduzido a:

  • oficinas de artesanato
  • atividades recreativas isoladas
  • eventos esporádicos

sem uma proposta pedagógica estruturada.

Fragilidade na articulação com o PAIF

Outro desafio é a falta de integração entre:

  • SCFV
  • acompanhamento familiar do PAIF
  • rede intersetorial (saúde, educação, cultura)

Quando essa articulação não ocorre, o serviço perde parte de seu potencial de proteção social.

Falta de recursos e infraestrutura

Problemas estruturais também impactam a execução do serviço:

  • escassez de profissionais
  • espaços inadequados
  • financiamento insuficiente
  • rotatividade de equipes

Essas dificuldades são frequentemente relatadas por trabalhadores do SUAS.

Desafios no monitoramento e avaliação

O acompanhamento das atividades é realizado por meio do Sistema de Informações do Serviço de Convivência (SISC).

Apesar disso, muitos municípios ainda enfrentam dificuldades para:

  • registrar informações corretamente
  • monitorar resultados

avaliar impactos do serviço.

Reflexões críticas sobre o SCFV

A análise da literatura e das normativas aponta que o SCFV possui grande potencial como estratégia preventiva de proteção social, mas sua efetividade depende diretamente da forma como é implementado.

Quando bem estruturado, o serviço pode:

  • fortalecer redes de apoio comunitário
  • prevenir violações de direitos
  • promover participação social

Por outro lado, quando executado de forma fragmentada ou desarticulada, o SCFV corre o risco de se transformar apenas em um espaço recreativo sem impacto socioassistencial efetivo.

  • Planejar atividades com objetivos socioeducativos claros
  • Articular as ações com o PAIF e o acompanhamento familiar
  • Considerar as especificidades do território
  • Valorizar a participação ativa dos usuários
  • Registrar e monitorar as atividades no SISC

Perguntas para reflexão profissional

Dicas para profissionais que atuam no SCFVO SCFV do seu município está realmente fortalecendo vínculos ou apenas oferecendo atividades recreativas?
  • As ações do serviço estão articuladas com o trabalho social com famílias?
  • O planejamento das atividades considera as vulnerabilidades do território?

Referências

  • Perguntas Frequentes - SCFV (MDS)
  • BRASIL. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009. Aprova a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. Brasília: CNAS, 2009.
  • BRASIL. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
  • Relatório decenal do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos: uma década de convivência, proteção e fortalecimento de vínculos. Brasília: MDS, 2023.
  • BRASIL. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
  • Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
  • BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Perguntas frequentes: Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). Brasília: MDS, 2015.

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